In her shoes

(Post escrito em novembro de 2015 e só agora publicado)

mat leaveEssa foi a expressão que veio à minha cabeça enquanto as duas primeiras semanas de outubro se passavam. Em português, a ideia seria ‘estar na sua pele’.

Desde o início da nossa gravidez da Manuela, Cris e eu desejávamos compartilhar a licença maternidade. Aqui no Canadá, a mãe e o pai têm direito de tirar dias para cuidar do bebê durante o primeiro ano de vida dele e Deus nos concedeu esse privilégio quando achávamos que não seria mais possível.

Quando engravidei, estava trabalhando sob contrato, portanto, não tinha emprego garantido depois de 1 ano de licença maternidade. Recebi uma oferta de emprego no meio da licença, mas recusei, já que usufuir do nosso direito de ficar 1 ano inteirinho com a Manu sempre foi nossa prioridade.

No final do mês de agosto, comecei a procurar emprego novamente e fiz algumas entrevistas durante o mês de Setembro e.. Bum! I got a job! Recebi uma oferta de trabalho para começar na primeira semana de outubro. E o que tudo isso tem a ver com o título do post?! Bem, foi aí que começou a “troca de papéis”.

Eu ainda teria direito a duas semanas de licença maternidade e pensamos que seria o momento perfeito pro Cris “tomar posse” dos seus direitos como pai e tirar a licença paternidade. E assim o fizemos. Muitas decisões num curto espaço de tempo.

Ajustes aqui e ali e assim invertemos os papéis por 2 semanas: Cris ficaria em casa com Manu e eu iria trabalhar fora o dia inteiro.

Sem dúvida alguma, a melhor forma de você saber como a outra pessoa se sente em determinada situação é se colocar no lugar dela, fazer o que ela faz , pensar como ela. Tenho o péssimo hábito em às vezes, julgar as pessoas em pensamento e vira e mexe me pego fazendo de vítima ou me sentindo mais especial do que alguém (xiii… acabo de me confessar. Faz parte do meu lado ‘podre’ que luto contra ele). Não foi diferente dessa vez. Estar em casa de licença maternidade é maravilhoso, um privilégio, porém tem também os momentos sombrios que toda mãe passa por eles.

Enquanto ainda em casa com Manuela, eu tentei desfrutar da presença dela o máximo que pude; ensinei várias coisas – e aprendi muitas outras, fiz vários testes: desde qual o melhor horário da soneca até sopa de aspargos; descobrimos parques de nossa vizinhança; participamos de grupos de mães e bebês; exploramos nosso quintal, e claro, demos muitas, mas muitas risadas. Mas tem dias que você se pega trocando a fralda pela oitava vez e se pergunta: Será que eu quero isso pro resto da vida? (óbvio que Manuela deixará as fraldas daqui um tempo, só estou usando isso para figurar). Talvez sim, muitas mães escolhem sabiamente abandonar suas carreiras para educar seus filhos de uma maneira mais próxima e isso é uma escolha linda. Talvez eu faria (ou farei no futuro), mas certo é que a situação financeira agora precisa de um salário extra, então ficar em casa cuidando exclusivamente do bebê não é uma opção no momento.

Por mais que ficar cuidando da Manu o dia inteiro seja uma delícia, tem coisas que são básicas de um ser humano (principalmente para a mulher!) que não são preenchidas. Tem dias que eu queria dar uma volta em algumas lojas, conversar um papo de adulto, ouvir músicas que não fossem infantis ou assistir um filme no cinema. Por causa do frio em alguns desses meses ou por causa da falta do carro à nossa disposição, por algumas vezes passamos 2 ou 3 dias sem sair de casa, e isso cansa. Por que estou contando tudo isso? Pelo fato de que muitas vezes só olhamos o lado bom das coisas dos outros e nos esquecemos que todos temos nossos “perrengues”. Geralmente, o pai só enxerga uma coisa: a mãe ainda dormindo quando ele sai pra trabalhar. Quem é pai aí pode confessar que se identificou com essa afirmação. Mas certo é que fora todo o prazer que é estar em casa com o bebê, tem todo o trabalho adicional: casa pra arrumar, roupas e louças pra lavar, comida pra fazer, bebê que quer mamar, bebê que resolve não dormir ou não comer, fraldas pra trocar e por aí vai. Quem está fora de casa geralmente não percebe todas essas tarefas.

Já a visão da mãe (eu!) geralmente é assim: o pai sai de manhã sem preocupações com tudo que esta por fazer na casa; não tem que aprender um monte de coisas novas de como cuidar do bebê; ele pode ouvir música de adulto no carro; ele conversa com os colegas durante o dia sobre variados assuntos; ele dirige; vai na academia, no vôlei, chega em casa e (na maioria das vezes) as coisas estão no lugar ou se não estão, podem esperar e deixar pra amanhã porque a mamãe estará em casa mesmo. É claro que ele curte o bebê e também cuida dele.

A realidade é que voltando a trabalhar, minha visão mudou. Durante essas duas semanas que o Cris ficou com a Manuela e até o presente momento, todas às vezes que vou sair de casa é como se eu estivesse abandonando-a. Já chorei e meu coração aperta. Pra quem fica o dia todo fora – são 11 horas! – a sensação é de que estou perdendo momentos muito especiais da vida do bebê. E isso é fato. Todos os dias ela aprende uma coisa nova. Eu fico no trabalho louca pra saber a que horas acordou, se já comeu, se gostou do cereal novo, se vai passear, qual o brinquedo está gostando mais, se já fez o #2, se bebeu água, se já voltou a dormir, etc, etc. E aí quando chego em casa, corro pra abraça-la (e ela faz o mesmo!! Quase me derreto!!) e fico apenas duas horinhas do dia com ela. Mundo cruel… E aí penso: era mais ou menos assim que o Cris se sentia.

Como podem ver, meus pensamentos ainda estão meio fora de ordem, ainda não sei falar sobre meus sentimentos em relação à essa situação. Vamos dar tempo ao tempo. Agora começou outra fase: a de ir pra creche. Cris já escreveu um primeiro post sobre isso e depois falaremos mais detalhado sobre nossa experiência da Manu na creche de Mississauga.

Num outro momento, o Cris vai falar da experiência dele sobre essas duas semanas de licença paternidade.

**Para aqueles que gostam de filmes, tem dois que falam sobre troca de papéis. O famoso brasileiro “Se eu fosse você” e o americano “In her shoes”.**

Esta entrada foi publicada em Familia, Sentimentos, Trabalho. ligação permanente.

5 respostas a In her shoes

  1. Juliana diz:

    Aline, boa tarde, tudo bem? Já faz uns dois anos que eu e meu marido estamos querendo estudar no Canada e decidimos que, se for da vontade de Deus, nós iremos esse ano, amém Jesus!!! Então pensamos em Montreal, mas logo decidimos por Toronto, pois temos duas filhas ( Julia e Isabela) e iria confundir demais a cabecinha delas com o Frances e Ingles em Montreal( escola).
    Você poderia indicar um college estamos com dúvidas entre o Centennial, George brown, Humber e Lambton. Na sua opinião qual desses vc me indicaria? Desde já muito obrigada!

    • Aline diz:

      Oi Juliana,

      Bom demais saber que vcs querem vir pra cá. Então, em relação aos Colleges, o George Brown é o mais famoso e eu tive uma ótima experiência lá. Fiz um curso de 3 meses que foi muito bom. No Centennial, tenha uma amiga brasileira que estudou/trabalhou lá e tb gostou bastante. Talvez ela possa te dar mais dicas. O Humber College tb é muito bom pelo que já ouvi falar. Não conheço o Lambton. Vcs virão pra ficar qto tempo? Seu marido virá com visto pra trabalho??

      Abs Aline

      Sent from my iPhone

      >

      • Juliana diz:

        Aline, obrigada pela pronta resposta, estamos querendo ficar por dois anos que será o tempo do college que eu pretendo fazer. E, quanto ao marido, ele terá o visto de work permit. Neste mês de fevereiro acontecerará a Eduexpor em SP, que contará com a participação de alguns colleges do Canada. Vamos aproveitar essa oportunidade e conhecer a proposta de alguns colleges. Aline, conheci o Blog da Carol e achei muito bacana também. Aline, muito obrigada! Abç Juliana.

  2. Juliana diz:

    Haaaa, parabéns Aline! A Manuela é linda, que cresça com saúde e paz.

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