Escolhas

E assim, no meio do caos, resolvi dar uma paradinha pra escrever um rápido post. Este post é dedicado aos amigos queridos e aqueles amigos desconhecidos que sonham em morar fora da pátria amada.

Caos porque chegamos de viagem à dois dias atrás, então você pode imaginar a sujeira da casa, a pilha de roupas pra lavar, malas por desfazer, dispensa e geladeiras vazios, etc. e lógico, adicione a tudo isso, a linda e árdua tarefa de cuidar de um bebê super fofo.  E enquanto faço todas essas coisas e mais algumas, reflito sobre a vida. Tenho certeza que várias mães sabem bem o que é isso: pensar consigo mesma enquanto faz as tarefas diárias. Ops! Paradinha pra colocar mais roupas pra lavar. Volto já!

Pronto! Voltei. A ideia essencial desse post é sobre sentimentos, categoria que eu mais escrevo aqui no blog – dá uma olhada na tabelinha aí do lado🙂 . Como eu disse, voltamos do Brasil na segunda-feira, e sempre que voltamos de uma viagem de lá, nos primeiros dias surge a dúvida: “Será que está valendo a pena?” e a resposta é sempre a mesma: “Sim.”

Dessa vez, me peguei ocilando em dar uma resposta tão precisa. Calma amigos revoltados com o Brasil, eu sei sim como está a economia, corrupção, violência, educação e blá blá bla. Assisto a Globo Internacional daqui e cada vez que vejo o JN dá vontade de chorar. Mas não estou falando da situação atual do país (até porque, creio fielmente que isso vai mudar. Fé em Deus, gente!). Estou falando de algo que não tem como medir. A cotação alta do dólar, os bilhões roubados da Petrobrás, o valor absurdo da gasolina, isso tem como mensurar; agora a falta que a família e os amigos fazem… isso nenhum economista conseguiu transformar em gráfico ou fazer uma tabela comparativa.

E esse sentimento de ‘faz falta’ bateu forte dessa vez por conta da Manu. Realmente, quando as pessoas falam que quando se tem filhos tudo muda, é a pura verdade. As nossas escolhas são pensadas e repensadas e o medo é grande se por acaso optarmos  pelo caminho errado, ou talvez, não propriamente errado, mas simplesmente por abrir mão do outro que também era muito bom. A grande pergunta que permeia no momento na minha cabeça é: “Será que ficar aqui onde talvez (sim, talvez, porque no Brasil também se tem muitas oportunidades) a Manu tenha mais oportunidades e mais qualidade de vida seja tão mais precioso que ter a família – vovó, vovô, titio, titia, primo e prima – por perto? Será que ela vai ama-los com a mesma intensidade se convivesse com eles diária ou semanalmente? Será que passar duas ou três semanas de férias no Brasil será capaz de permiti-la ter doces lembranças da infância junto com eles?” Oh, dúvida cruel! Por quê não se pode ter os dois?!?. Seja qual for nossa escolha, peço à Deus que Manuela entenda no futuro que nossa intenção sempre foi proporciona-la o melhor.

E assim caros amigos aspirantes à  imigrantes, fico por aqui deixando que cada um de vocês façam suas escolhas. E à nossa amada, fiel e compreensível família, o nosso muito obrigado. Vocês fazem toda a diferença! E claro, aos amigos daqui que fizemos nesses últimos 5 anos. Sem dúvida alguma, vocês foram e são peças fundamentais na nossa escolha de estarmos aqui.

bandeira

Esta entrada foi publicada em Familia, Sentimentos. ligação permanente.

11 respostas a Escolhas

  1. celia diz:

    Querida Aline! Um grande abraço, menina, você me emocionou muito! Acho que sei o que você está sentindo. Não fui para tão longe, mas muitas vezes me fiz as mesmas perguntas.

    • Aline diz:

      Célia, tenho percebido que essa é a pergunta de todos aqueles que um dia deixaram de morar perto de suas famílias para alçarem voos mais distantes… O teletransporte seria ideal nessas horas, não é?

  2. Paty diz:

    Tenho um desejo profundo de ir para o Canadá, mas além de todos os trâmites que retardam a ida da minha família, sempre me pego pensando nessa questão, minha filha tem 4 anos e é tão apegada a minha mãe, penso que indo ela pode ter uma qualidade de vida melhor, mas vai perder todo esse convívio com a família.

    • Aline diz:

      Paty, sem querer te desanimar, mas você terá que optar por um ou outro. Mas por outro lado, você pode incentivar à sua mãe a vir morar com vocês ou pelo menos visitar de vez em quando🙂. O importante é ter opções, do mesmo jeito que você pode vir, pode voltar também.
      Espero que você possa realizar seu desejo😉

  3. Muito interessante o post! Estamos às portas de ir e tb me pego pensando nisso: será que valerá a pena? Nossa vida aqui (no Brasil), nossos amigos, família… será que poderemos viver sem tudo isso?
    A resposta é SIM! A família procuraremos manter a relação virtual e visitar sempre que possível, mas no momento, depois de mais de 7 anos planejando e sonhando com este momento, se não formos, como já disse aquele poeta: “ficaremos à margem de nós mesmos”.

    Abraços do Casal Petit Champlain

    • Aline diz:

      Casal, imagino a vontade louca de vocês pisarem nesse solo gelado!! Muita coisa a se descobrir. E super apoio a ideia de manter contato virtual e pessoal com a família, afinal, família é a base de tudo. Quando viemos pra cá, nos comprometemos que a viagem anual ao Brasil seria um dos primeiros itens do nosso orçamento familiar. E temos sido fiéis à isso e até mais🙂
      Boa sorte pra reta final de vcs e se precisarem da gente, tamo aqui!
      Abraços

  4. O fato de estar longe da família não é o mais importante, o bom é que os momentos em que todos se encontram seja intenso, feliz e com harmonia. Estes sim, ficarão para sempre na memória dela. Aquele bolo que só a vovó sabe fazer, os carinhos e a atenção recebidos, que se vocês estivessem sempre juntos, talvez nem fossem notados. E quando a saudade aumentar, é só ligar, ou escrever para os amigos, pode contar com a gente…..mesmo os desconhecidos como eu.
    Abraço apertado,
    Eliana

    • Aline diz:

      Suas palavras são a pura verdade, Eliana. Sem dúvida, terão coisas que só as vovós, vovôs e titios saberão fazer.
      Valeu pela força! Amigos são sempre bem-vindos!
      Abs

  5. O que realmente importa não é a proximidade física. É o coração…
    Pode ter certeza de que uma pessoa que está fisicamente distante mas busca e encontra maneiras de estar próximo e presente mesmo que seja por Skype marca muito mais do que alguém que mora ao lado mas não está nem aí para nós. Além do que sempre pode haver a possibilidade de puxar a fila e proporcionar aos familiares que realmente contam a possibilidade de viver no Canadá.

  6. Talita Pires diz:

    Ai Aline!! Li duas vezes seu post…me dá um frio na barriga só de pensar que talvez terei os mesmo sentimentos… a mesma escolha. Até li este post pra minha sogra, aqui na casa dela, e faço das palavras dela as minhas: Você pode estar no melhor lugar do mundo, no melhor emprego do mundo, entre outras coisas, mas o que é melhor mesmo é você estar no centro da vontade do nosso Senhor! Sua família é você, Cristiano e Manuela. Foi eles dois que Deus te deu para cuidar, e tenho certeza que você quer e planeja o melhor pra eles. Então minha querida: Avance em direção aos sonhos de Deus para sua vida!
    Obs: Estamos caminhando no processo, e pedindo ao Senhor que seja da melhor forma. Grande abraço! Foi muito bom ver vocês!

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s