Parto Manuela – Como nosso presente chegou

By Cris & Aline

Este post foi escrito à 4 mãos. Resolvemos escrever juntos a aventura do parto. E já vamos avisando que será longo, porém especial.

Cristiano escreveu a visão dele como telespectador e coadjuvante e Aline fez os comentários logo abaixo das observações dele, como protagonista.

Gravidez Manuela

Cris: A due date (dia que a gestação completa 40 semanas) era 14 de Novembro, mas na noite de sexta para sábado, 8 de Novembro a bolsa da Aline se rompeu por volta de 1:30am. A Aline me chamou bem levemente e com uma voz super serena dizendo: “Meu bem, acho que minha bolsa estourou”. Como as contrações ainda não tinham começado, voltamos para a cama e tentamos dormir um pouco mais, pois sabíamos que as próximas horas seriam bastante desgastantes. Porém, em menos de 1 hora depois, a Aline começou a ter as primeiras contrações e voltar a dormir ficou fora de cogitação.

Aline: De acordo com a médica e parteira, a due date era 16 de novembro, mas o resultado do ultrasom dizia que seria uns dias antes. E assim eu sempre disse que ela nasceria por volta do dia 10. E dito e feito! Dia 9 ela deu o ar da graça. Coisas de mãe… tipo, sexto sentido🙂

Sobre a bolsa estourar, eu acordei e a sensação foi como se eu tivesse fazendo xixi na cama e não conseguisse controlar. Sensação mega estranha… Como dormir se na minha cabeça o único pensamento era : “Daqui a pouco eu terei meu bebê nos braços!”.

Cris: Se a bolsa rompesse durante a madrugada, a instrução era de contatar nossa midwife somente quando as contrações estivessem regulares a pelo menos 4 minutos uma da outra. Por volta das 3:30am as contrações começaram a vir mais fortes e bem regulares, então fizemos o primeiro contato. Fomos direcionados ao hospital e lá a midwife fez a primeira avaliação da situação, e como a Aline ainda não estava com 4cm de dilatação, não poderíamos ser admitidos no hospital, tinhamos a opção de voltar para casa ou ficar perambulando por lá. Optamos ir para casa.

Aline: Como o Cris adora números, tabelas e etc, contar o tempo das contrações foi uma tarefa que ele gostou muito (Hahahaha!!!). A parte da dor ficava por minha conta… Me lembro dele perguntando a cada contração: “Como foi essa? Razoável, forte ou muito forte?”. Nessas horas dá vontade de mandar a pessoa ‘pastar’, ora bolas, sentindo dor e ainda tenho que fazer uma avaliação em escala?!? Mas eu sabia que isso era necessário e ele estava ali ajudando. Me recordo bem da primeira vez que eu disse: “Muito forte!” e saí correndo pro banheiro pra ‘chamar o Juca’… aquela foi das brabas!

Minha mãe ficou revoltada em termos que voltar pra casa com a bolsa já estourada. Esse foi um dos primeiros aprendizados que ela teve sobre “Como ter um bebê no Canadá”…rs.

Cris: Tudo estava programado para Manuela nascer no Credit Valley Hospital, que fica a menos de 10 minutos de casa, mas como nossas parteiras fizeram uns 3 partos nas mesmas 24 horas e estavam no Trillium Hospital, fomos direcionados para lá, que apesar de ser um pouco mais antigo que o Credit Valley, nos atendeu perfeitamente. Aliás, todo o acompanhamento da gravidez foi feito através do serviço público de saúde de Ontario (OHIP), que outra vez achamos ótimo e não temos do que reclamar (exceto que para os padrões brasileiros, bem que poderíamos ter uns ultrassons a mais né…rsrsrs… aqui são somente 2 durante toda a gravidez, se tudo estiver correndo bem).

Aline: A única coisa que achei ruim de não ser no hospital que escolhemos foi porque o outro hospital era mais longe. Pra quem está com contrações, cada segundo dentro de um carro é um suplício!!

Cris: Lá pelas 11 horas da manhã, voltei a monitorar os intervalos das contrações e então fizemos o segundo contato e agendamos de chegarmos no hospital por volta de 1:00pm. Desta vez, a Aline estava com a dilatação mínima necessária para ser admitida e ficamos lá até o nascimento.

Aline: Cris pulou muito essa parte (Hehehe!). Muita dor durante essas horas. Havíamos sido informados uma semana antes que Manu estava na posição back-to-back, ou seja, as costelas dela estavam viradas para as minhas e também havia sido informada que essa era a posição mais dolorida de um parto normal… Nessas horas, eu percebi/senti isso na pela, ou melhor, nas costas! Usei bola de pilates, fiz exercícios de agachamento, tomei banho, mas a bendita dor nas costas era de matar!

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Cris: As próximas horas foram de monitoramentos e alguns exercícios para que o trabalho de parto não durasse muitas horas. Por volta das 18:30 horas, Aline já estava tão exausta que ela conseguia RONCAR entre uma contração e outra (lembrando que elas vinham a cada 3-4 minutos) e foi aí que após tentar algumas técnicas naturais para suportar a dor, ela resolveu tomar a anestesia peridural. Apesar dela querer um parto o mais natural possível, naquele momento foi a melhor decisão, pois estávamos todos exaustos com todo o longo processo. Foi aí que eu, Aline e Rosangela conseguimos tirar um cochilo por umas 2-3 horas.

Aline: Eu preferia um parto sem anestesia, por diversos motivos que não cabe detalhar aqui, porém não contava que a bonequinha estivesse numa posição tão desconfortável para mim. Minhas maiores dores eram nas costas, não na barriga, por causa da posição que ela se encontrava. Para tentar alivia-las, a midwife fez um processo de aplicação de água com uma injeção em quatro pontos nas minhas costelas. Não me lembro do nome do procedimento, mas é simples, porém, muito, muito doloroso. Ela usa uma injeção e aplica água (com alguma outra substância) debaixo da pele, então pode-se imaginar a dor. A ideia é ‘enganar’o cérebro e desviar a atenção da dor. A dor dura 30 segundos, mas foram os 30 segundos mais dolorosos da minha vida. Valeu a pena. A dor nas costas melhorou bastante. Mesmo assim, depois de um tempo resolvi tomar a anestesia por uma questão de exaustão. Pra mim, a imagem que ficou na minha cabeça desse momento do processo foi quando a midwife chegou na sala de novo (depois da aplicação da anestesia) e viu minha mãe e o Cris cochilando nos sofás e sentindo frio. Ela prontamente trouxe lençóis quentinhos para os dois. A cara de felicidade deles era como se eles tivessem parido a Manuela…hehehe.

Cris: Por volta das 21:30 a midwife fez mais um novo check-up e finalmente Aline estava com a dilatação ideal para entrar na fase final do trabalho de parto. Então tudo foi preparado para tal e por volta das 22:30 realmente chegou a parte mais tensa rsrsrs (pelo menos para o pai aqui). Aline ficou por 1 hora e 30 minutos tentando fazer Manuela nascer e nada. Dia 8 de Novembro já tinha passado e saberíamos que Manuela então viria no dia 9🙂. As midwives disseram que o bebê já estava muito estressado devido a tanto tempo e esforço e que ela teria que nascer nos próximos 30 minutos (Uau! Neste momento eu pirei o cabeção….  era uma suadeira só). As midwives então tiveram que chamar a obstetra e sua equipe (que por sinal chegaram super rápido) e de repente a sala que somente tinham 5 pessoas (2 midwives, eu, Aline e Rosangela) passou a ter pelo menos umas 10. Mais uma vez muita tensão no ar. A médica disse que iria tentar utilizar o vaccum (um sugador) antes de optar por uma cesária. Aqui no Canadá, contanto que a mãe e o bebê estejam bem, cesariana é sempre a última opção, não importa quantas horas dure o processo, inclusive não podemos optar por cesária, a não ser que realmente seja necessário (e algumas desculpas que os médicos brasileiros utilizam para fazer com que os pais optem por cesariana, aqui não colam. Ex. cordão ao redor do pescoço do bebê).

Aline: Por incrível que pareça, essa não foi a pior parte pra mim, pois eu estava anestesiada (com uma dose bem suave conforme eu havia pedido porque eu queria participar do parto). Porém, foi um pouco frustrante. Eu fazia toda a força do mundo e Manu só mostrava a cabecinha e depois escondia de novo. Eu pensava comigo mesma: “Não sei mais o que fazer”. Foi quando a midwife percebeu que ela estava na transversal, então ela não conseguia sair e por isso teve que chamar uma médica para fazer algum tipo de procedimento mais detalhado que ela não está apta a fazer. A médica rapidamente me explicou o que seria feito e como eu não queria cesariana, orei a Deus pedindo que o vaccum desse certo. A médica me confortou dizendo que eu estava fazendo tudo certinho, mas o bebê não sairia sem algum tipo de ajuda.

Cris: Foi então que as 00:39 de 9 de Novembro de 2014, Manuela nasceu pesando 2,891 quilos e 49 centímetros. Apesar de toda a tensão, tudo correu super bem e já fomos liberados para ir para casa 3 horas depois do parto, sendo que no final do dia tivemos a primeira visita em casa das nossas midwives (este é um dos grandes benefícios das parteiras, nas primeiras 5 consultas elas vão até a casa dos pais e levam todos os equipamentos para inclusive fazerem o teste do pezinho). Umas 4:30am já estávamos em casa. E quem disse que eu conseguia dormir?!?!….rsrsrs… Já Manuela, só queria dormir e tinha inclusive que ser acordada para amamentar nos 2 primeiros dias.

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Aline: Que sensação maravilhosa!! Ela nasceu!! Eu comecei a chorar compulsivamente, daqueles choros de soluçar e ficar vermelha. Aquilo era um milagre… A primeira coisa que eles fizeram, foi colocá-la em meus braços ainda presa ao cordão umbilical e eu continuei chorando de alegria. Ela era bem pequenina, mas ali eu sabia que dali por diante ela era de minha total responsabilidade (e do pai tb, claro!). Ela ficou pele-com-pele (skin to skin) por duas horas comigo, sem tomar banho, sem nada; só coberta num lençol quentinho e de cara começou a mamar. Eu ainda meio sem jeito a ajudava, mas ela se mostrou esperta desde o início.

Amei vir pra casa rapidinho. Sem dúvida alguma, a casa da gente é o melhor lugar para se recuperar. E assim, começava uma linda estória…

P.S. da Aline: Não posso deixar de registrar aqui minha eterna gratidão pela enorme ajuda que minha mãe nos deu antes, durante e depois do parto. Mãe, você é uma bênção de Deus nas nossas vidas! Também agradecer a super disponibilidade da minha irmã Adriane que nos ajudou na finalização da decoração do quarto da Manu e recebeu a pequena com muito amor. Por fim, agradecer ao meu eterno namorado pelo carinho e cuidado comigo e com nossa filhota. Amo vocês!

A Deus toda honra e glória!!

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8 respostas a Parto Manuela – Como nosso presente chegou

  1. Liiiiiindo! Chorei no fim.
    Um dos posts sobre maternidade no Canada, q ja vi.
    Que emocao, espero um dia passar esta experiencia especial.
    Amei a forma como escreveram a historia, sendo vc e seu marido.
    Parabens e que Deus abencoe a sua linda familia!

  2. Nat diz:

    Lindo demais. Parabéns para os pais.

  3. Daisy Dias diz:

    Parabéns Aline e Cris. Este post é um dos melhores presentes que vocês deixam para a Manuela. Escrito assim logo depois da emoção do ‘evento’ e com tanto talento, o relato do nascimento da Manu torna-se uma grande contribuição para muitas mamães e uma inspiração para outras. Welcome Manuela!

  4. Mara diz:

    Parabéns, Cris e Aline! Fiquei emocionada (pra não dizer que chorei de novo…) Que Deus abençoe vocês!!

  5. Pingback: 6 meses | Minas Canadá

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