Fatos interessantes no ambiente de trabalho no Canadá

trabalhoResolvi escrever um post sobre alguns fatos interessantes que já observei nesses últimos seis anos do ambiente de trabalho canadense. E quando eu estava escrevendo, fui compartilhar com o Cris e ele disse: “Eu também!” Então achamos que esse assunto merecia dois posts, pois cada um de nós tem suas experiências.

Os fatos descritos são  coisas subjetivas, que podem sim, variar de empresa pra empresa, então quero deixar claro que essa é a minha visão e experiência, nada aqui é regra. Algumas coisas são estranhas, outras engraçadas e outras comportamentos que deveriam ser adotados no Brasil e no resto do mundo. Depois que ler, você pode deixar seu recadinho dizendo o que mais gostou😉

  • PTO days – Personal Time Off ou Folga por motivos pessoais – Todo ser humano precisa de dias durante o ano para resolver alguns “pepinos” ou ficar na cama quando você não está se sentindo muito bem ou talvez ou ir ao cinema às 11 horas da manhã:). Brincadeiras à parte, além das minhas férias, tenho 5 PTO days durante o ano que posso usar quando eu quiser (e a chefe aprovar). Não precisa dar muita explicação, só avisar que estou de folga naquele dia e pronto!
  • Olhar a temperatura antes de sair e talvez trabalhar de casa – Já falamos sobre isso aqui, mas vale repetir. No inverno, tem dias que é dureza e até arriscado sair de casa, principalmente se tiver acontecido uma tempestade de neve na noite anterior. O trânsito fica um caos, algumas coisas literalmente congelam (tipo, os trilhos do trem) e a maioria das escolas cancelam as aulas. A saída para evitar maiores transtornos é você trabalhar de casa. Portanto, cheque a temperatura e os noticiários antes de sair de casa em dias de inverno!
  • Não precisar de atestado médico quando se está doente – outro dia de folga que tem nome especial: Sick day. Se você não está se sentindo bem naquele dia, você liga pro chefe e avisa que vai tirar Sick Day. Na maioria das empresas, ou você tem PTO days ou Sick Days. É mamata demais se tiver os dois!!
  • Gripe/resfriado – Se a pessoa estiver gripada, não se cumprimenta com aperto de mão ou beijos e evita participar de reuniões em ambientes fechados além de usar o hand sanitizer (álcool em gel) o tempo todo. Tem até regra sobre como espirrar!! Hahahahaha!!!! Você deve sempre espirrar cobrindo sua boca com seu antebraço, que na maioria das vezes está coberto com a manga comprida da blusa, para que o vírus morra no tecido da roupa evitando assim que ele se espalhe. Acho hilário, mas faz sentido – não muito no Brasil, onde mangas compridas são raridade de se usar!
  • Vestuário – 1) Uniformes não são comuns por aqui. Garçons por exemplo, muitas vezes se vestem apenas de preto.
    2) Existe tipos de roupas e cores pra cada estação. No inverno, o preto e o cinza dominam nas ruas e nas empresas. Você até ganha um elogio se usa amarelo-ovo, por exemplo. Mas eu acho que o elogio é falso…rs.
    3) Nos escritórios, a regra é sempre de casaquinho/blazer/terninho e sapatos fechados. Quase ‘morro’ de não poder usar minhas lindas sandálias brasileiras para trabalhar…
    4) Sexta-feira é Jeans day. Nas empresas que o uso de roupas sociais é obrigatório, em algumas sextas-feiras do mês eles abrem exceção e você pode ir trabalhar de calça jeans.
  • Morar perto do trabalho – é quase que mandatário pro canadense, porém com o aumento absurdo dos preços de imóveis, cada vez mais as pessoas estão morando mais afastadas dos grandes centros e com isso o número de carros na rua só aumentando. Quando comento que gasto uma hora e meia pra chegar em casa as pessoas acham um absurdo (P.S. Eu também acho, mas me lembro que isso é bem comum na terra brazilis… Ou pior…)
  • Pay day – o pagamento do salário é a cada duas semanas ou às vezes, toda semana. Então, você tem um “faz-me rir” quinzenalmente.
  • Serviços bancários – Usa-se muito cheque para pagar as coisas e pode demorar até 30 dias para o cheque cair na sua conta. A demora também é válida pra DOCs, transferências entre contas. Enquanto no Brasil basta um clique e o dinheiro é transferido, aqui você tem que aguardar muitos dias. Tem outras formas de pagamento mais rápidas, mas ainda não são populares quanto essas aí.
  • Fac-símile – O velho aparelho de fax ainda é muito usado para transmitir informações como: dados de cartão de crédito, inscrições em eventos, reservas, etc. Em alguns lugares, isso já virou peça de museu, mas aqui se acha nas mesas dos escritórios.
  • Materiais de escritório – esses são descartados facilmente, basta apenas alguém não estar utilizando-os por algum tempo e eles vão direto para o lixo. Isso em alguns lugares. Em outras empresas usam objetos e computadores do arco da velha…afff!! Me irrita a contradição!
  • Limpeza do escritório – fica muito a desejar, além do quê, você é quem limpa sua própria mesa de trabalho. Não tem aquela faxineira duas ou três vezes por semana. Nós brasileiros temos a fama de sermos chatos com limpeza e pra falar a verdade, gosto da fama. Tento manter meu espaço de trabalho o mais limpo possível, mas não tem como eu levar o aspirador lá de casa pro trabalho, né?!?
  • Ouvir conversas dos outros e dar palpites – acho isso super engraçado. O famoso ‘ficar de orelhas em pé’. É como se você estivesse sendo vigiado o tempo todo, seus colegas de trabalho ouvem tudo que você fala no telefone ou com o outro colega – e depois dão palpite na conversa se lhes for conveniente…rs. Por outro lado, eu sou meio “avoada”; às vezes as pessoas estão batendo papo perto da minha mesa, mas como eu não fui convidada para o assunto, fico na minha e não fico prestando atenção (algumas vezes sim, confesso…hehehehe) e aí de repente surge uma pergunta direcionada à mim e eu fico ‘boiando’ e preciso perguntar do que eles estavam falando…
  • Parabéns super tedioso – enquanto no Brasil a gente quase solta fogos de artifício quando é aniversário de alguém e contrata salgadinhos, compra presente, bolo e etc, aqui se limita em um cartão comprado aleatoriamente que todos assinam e se canta uma “Parabéns pra você” que dá vontade de chorar de tão triste que é. Não tem palmas, não tem “Com quem será” e é sempre num tom de voz baixo e suave, quase que uma música clássica para ninar um bebê.
  • Sem treinamento quando contratados – me lembro de treinar muita gente quando era contratado pela empresa quando eu trabalhava no Brasil. Eram horas, dias de treinamento e a pessoa ficava me acompanhando durante esse tempo até estar apta para colocar a mão na massa. Aqui parece que tem menos funcionários e muito trabalho, ou seja, te vira! Ninguém tem muito tempo pra te treinar. E muitos dos treinamentos são online, já gravados quando se trata de empresas grandes. O segredo é: self-training. O famoso vivendo e aprendendo…
  • Campanhas beneficentes- se participa de diversas campanhas pra arrecadar dinheiro para entidades. Eles são bem criativos nisso e inventam várias ações no decorrer do ano para você se engajar e poder contribuir: tem a sexta-feira do jeans, tem rifas, bingos, venda de cookies no dia dos namorados ou natal, etc. No final do mês ou do ano, ajunta-se o valor arrecadado durante aquele período e envia para a instituição escolhida. Amo isso!
  • Entrega do contra-cheque – se ele ainda for do tipo físico e não online, é entregue pelo chefe a cada funcionário subordinado a ele e o chefe sempre agradece pelo seu trabalho no momento da entrega.

Tenho certeza que muitos desses fatos acontecem também em empresas brasileiras, mas eu nunca tive a oportunidade de vivencia-los enquanto morava/ trabalhava no Brasil. Agora, uma coisa é certa: o “Parabéns quase morrendo” eu tenho certeza que não acontece em lugar nenhum do Brasil!!!! Nós somos muuuito animados!!!

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Mercado de Supply Chain em Toronto – UPDATE

Tenho recebido alguns contatos de brasileiros da área de supply chain e relendo meu post pré-imigração (aqui), acho que depois de 6 anos no mercado canadense, já estava na hora de fazer um update aqui.

Supply Chain

Pois bem, cheguei em 2009 e fui logo procurar alguma certificação para fazer (eles prezam bastante por certificações aqui no Canadá). Primeiramente, fiz o agora extinto NOW Program (post aqui) para me ajudar com a preparação do currículo e entrevistas. Logo em seguida fui para a Microskills fazer o programa SCAPE deles (ainda ativo e recomendado). Falei um pouco sobre ele neste post que fiz sobre a certificação CPIM. Em 2009, o governo custeava o primeiro módulo do CPIM (curso e prova).

Demorei 5 anos para concluir meu CPIM, fiz um módulo por ano, opção pessoal, pois já estava no mercado de trabalho e não tinha muito tempo para me dedicar, mas conheço pessoas que obtiveram a certificação em 6 meses… incrível isto.

Voltando lá no início da imigração, após 5 meses aqui no Canadá, consegui meu primeiro trabalho como Analista de Compras em uma empresa distribuidora de auto-peças. Fiquei lá somente 8 meses, pois recebi uma proposta melhor para ser Planejador de Materiais para uma empresa no ramo de cozinhas industriais (produzem para as grandes redes de fast-food). Após 10 meses, recebi a proposta para ir trabalhar em uma grande indústria de tecnologia e mais uma vez não me hesitei e fui correndo. Era uma proposta para gerenciamento de supply chain global. Este foi o emprego dos meus sonhos: era responsável pelo Planejamento de demanda e suprimentos de smart-phones para os sites de reparação em toda a América Latina e ainda trabalhava em alguns projetos mundiais. Era muito legal ver toda aquela logística e trabalhar em grandes projetos que envolviam diversos profissionais de várias áreas em todo o mundo. A grande questão era que a empresa ficava em uma cidade a uns 60kms de Mississauga e fiquei quase 2 anos fazendo este commute (post sobre carpooling). Quando estávamos pensando em comprar uma casa por aquelas bandas, a empresa começou a ir muito mal e a demitir em massa. Resolvi segurar a onda e antes de qualquer coisa, comecei a procurar alguma outra oportunidade. Eis que surgiu uma proposta na minha atual empresa, que é especializada na produção de trens e aeronaves, para ser responsável pelo planejamento de materiais para a América do Norte para a demanda de peças de reposição dos clientes que possuem produtos da marca. E eis que estou nesta empresa há 3 anos.

Então, durante esses 6 anos tive a oportunidade de conhecer um pouco dos mercados automobilístico, de tecnologia e transporte. A concorrência é grande sim entre os profissionais de supply chain, mas existe algumas certificações que acabam diferenciando alguns profissionais e o bom e velho networking é super importante. Eu acabo de concluir minha certificação CSCP da APICS e recomendo.

Foram 4 empresas em 6 anos e sempre digo que a melhor maneira de procurar um novo emprego, é estando empregado. A primeira porta a se abrir, normalmente demora um pouco mais (há exceções, claro) mas as oportunidades estão disponíveis para aqueles que são persistentes.

Abaixo uma lista de certificações que eu acho relevante comentar e indicar:

CPIM – Certified in Production and Inventory Management. Certificação que abrange temas ligados à gestão de produção e gestão de estoque. Fiz um post somente sobre a certificação.

CSCP – Certified Supply Chain Professional. Certificação mais abrangente dentro da cadeia de suprimentos que destaca áreas de Supply Chain Design, Planning and Execution, Improvements and Best Practices. É muito conteúdo em um certificado só, e muitas vezes eles não aprofundam muito, mas se você já é do ramo, vai perceber que não tem nenhum segredo.

Tanto o CPIM quanto o CSCP são certificados da APICS, uma associação super respeitada e recomendada na América do Norte.

CIFFA CertificateCanadian International Freight Forwarders Association. Para obter o certificado, é necessário fazer pelo menos 2 cursos: International Transportation and Trade e Essencials of Freight Forwarding. Este certificado é mais voltado para quem quer trabalhar com trâmites alfandegários e comércio exterior. Detalhes no site da CIFFA.

CCLP Certificate – CITT-Certified Logistics Professionals. Ideal para os profissionais de logística que trabalham com transporte de cargas. Para obter a certificação é necessário completar 5 cursos on-line, ser graduado e ter pelo menos 5 anos de experiência na área. Todos os detalhes no site da CITT (Canadian Institute of Traffic and Transportation).

SCMP (Antigo CPP) – Supply Chain Management Professional. Apesar do curso abranger diversas áreas da cadeia de suprimentos é a certificação mais recomendada para os profissionais de compras. Todos os detalhes no site da SCMA Ontário, mas já adianto que esta é a certificação mais cara de todas que citei.

Vou ficando por aqui, pois o post ficou enorme. Se tiver alguma dúvida ou algo a completar, deixem comentários aí embaixo J.

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Pérolas do dia a dia no Canadá

Mesmo morando e trabalhando aqui há mais de 6 anos (isso tudo!?), ainda acho muito legal as diferenças de comportamento das pessoas de culturas diferentes. Sei que estas diferenças estão também presentes na cultura diária das empresas brasileiras, mas acho que aqui elas se intensificam um pouco mais:)

As situações abaixo são verídicas, somente não vou citar em qual empresa aconteceram, para evitar qualquer exposição.

Contato físico:

Aqui eles prezam muito pelo physical space/boundaries, que nada mais é que o espaço entre você e a outra pessoa que está conversando. Não chegue MUITO perto e sempre deixe um espaço confortável (exceto no TTC na hora de rush, aí os bons modos vão para as cucuias, afinal, ninguém pode se atrasar para o trabalho😛, que o diga a esposa que passou por isto estando grávida)

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 Se você não “adivinhar” a nacionalidade da pessoa pelo sotaque, o estilo de fazer contato físico pode dar alguma dica. Os latinos são no geral os que mais “gostam” de tocar e abraçar as pessoas.

Causo: Uma vez fui a um jantar de confraternização da empresa da esposa e apesar de não conhecer a diretora da Aline, já tinha ouvido falar tanto dela que acho que criei uma afinidade no psicológico que quando a Aline me apresentou, eu não hesitei e já fui para dar beijos e abraço :-0 como se a conhecesse há anos kkk…. Ela ficou um pouco sem graça com a situação (ou não esperava), mas foi super educada e disse: “Ah, no Brasil vocês tem costume de cumprimentar com quantos beijos?” e eu como um bom mineiro, disse que 3 beijos; e lá fui eu dar 3 beijos e um abraço na diretora da Aline. Apesar da situação ter sido estranha, foi uma ótima maneira de quebrar um pouco o ‘gelo’ inicial e já bater um papo gostoso com ela:). É claro que a Aline ficou o restante da noite me zoando e quando ela me apresentou para o restante da equipe, rolou somente um handshake (aperto de mão).

Horários:

Normalmente aqui as pessoas tendem a respeitar mais os horários, então se você for convidado para uma festa de canadenses que está programada para 7pm, pode chegar às 7pm que a festa estará rolando e não vão achar que você chegou cedo. E lembre-se que a maioria das festas também tem horário para acabar. Portanto, se no convite diz de 7pm às 10pm, pode esperar que 10pm não terá mais ninguém (isto vale para festas até mesmo na casa das pessoas).

Causo: Uma situação engraçada que aconteceu no trabalho: Minha colega de trabalho tinha uma reunião com seu gerente às 11:30am para uma avaliação 1×1, ela olhou para o relógio e era 11:33am então ela ficou revoltada pela falta de respeito dele em deixá-la esperando para a reunião.

Causo 2: Meu horário de trabalho vai até às 4:30pm e o do meu colega do lado vai até às 5pm. TODOS os dias que eu ainda estou na minha mesa às 4:40pm ele vira para mim e solta: “O que está acontecendo? Porquê ainda não foi embora?” (agradeço a Deus por trabalhar em uma empresa que preza qualidade de vida, e se fico depois do horário, principalmente porque a chefia pediu alguma coisa urgente, meu gerente até pede desculpas e diz para compensar aquelas horas/minutos depois… é mole???).

Causo 3: É sexta-feira 3:00pm, e do nada, meu gerente vira para nossa equipe e diz: “Se vocês estiverem com o trabalho em dia, sintam-se à vontade de irem para casa mais cedo para curtir o fim de semana”. E muitas pessoas na verdade não vão para casa, pois precisam terminar suas atividades (responsabilidade acima de tudo).

Horário de almoço:

Não sei se já falei que a cultura aqui é a de levar marmita para o trabalho, e isto vale para o carinha do almoxarifado ao presidente da empresa. Comer comida de casa é sinônimo de ser saudável por aqui e claro, economia também (apesar das diferenças salariais rsrsrs).

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O grande “prazer” de uma colega de trabalho é na hora do almoço conferir o que todos estão comendo (não somente ela, mas muitos fazem isto e este comportamento se repetiu em todas as empresas que já trabalhei por aqui). TODOS OS DIAS é um tal de: “Nossa! A comida do fulano está com uma cara tão boa!” ou “Nossa! Fulano trás arroz todos os dias, ele deve realmente gostar de arroz, né?” rsrsrs… Mas a melhor de todas foi essa (lembre-se que são fatos verídicos): “Nossa! Fulano foi comprar comida 3 dias seguidos (isto mesmo, parece que a fulana ainda marca no calendário, kkk…), alguma coisa deve estar acontecendo na casa dele.” Aí o fulano chega com sua comida comprada (comida nada, um sanduíche do Subway ou Tim Hortons) e a tal vira para a pessoa e fala: “Ehhh.. sua esposa não está te tratando bem nestes últimos dias, né?” (um pouco de brincadeira no tom de voz, é claro).

Vou parar por aqui, pois o post já ficou super grande, mas tem mais estórias (causos) que vou guardar para contar depois:). Aline também está cheia deles e depois conta aqui.

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1ª Carta para Manuela

(Post escrito em Novembro de 2015, sim estamos 3 meses atrasados no blog)

Oi filha,

Papai resolveu deixar registrado através de cartas, alguns momentos especiais da sua vida, para que no futuro, se te interessar saber mais detalhes da sua infância, elas estarão registradas aqui.

Resolvi fazer esta primeira carta em um período super especial. Sua mãe voltou a trabalhar em 5 de Outubro de 2015, depois de 11 meses de licença maternidade, e o papai tirou 2 semanas de licença paternidade para poder curtir você ainda mais.

Confesso que nossos primeiros dias juntos foram um pouco tenso, pois o papai ainda não tinha muitas habilidades, mas com jeitinho a gente sempre aprende. No final de semana que antecedia a primeira segunda-feira que ficaríamos juntos, você teve febre e durante a semana fomos descobrir que você estava com roseola, nada grave, mas se o papai estava tenso, ficou ainda mais.

Você está em uma fase muito especial e de muitas descobertas, mas a que mais marcou o papai na nossa primeira semana juntos, foi que você aprendeu a abraçar forte. Bastava eu te pegar no colo e pedir um abraço, que você o dava com a maior força do mundo.

Amora também ganhou vários abraços apertados!!

Amora também ganhou vários abraços apertados!!

Meu maior desafio foi conseguir te fazer dormir. Tentava todas as técnicas possíveis e quem disse que você tirava uma soneca (ficar acordada brincando comigo era mais divertido né..), a sorte do papai era que as temperaturas ainda estavam amenas então minha saída era sempre te colocar no carrinho e ir dar uma volta no parque. Não demorava muito e você já estava dormindo. Teve dias que saímos até 3 vezes durante o dia somente para você dormir um pouco (acho que os vizinhos até achavam que o papai era meio exagerado em sair tanto com o bebê, mas não estava nem aí).

Hora da comida também era uma festa.

Hora da comida também era uma festa.

Fotos importadas 3 Dezembro 2015 005

Tentei manter uma rotina com você, mas muitas vezes saimos dela. Nossos dias juntos foram cheios de idas ao parque e seu brinquedo favorito era o balanço (era o único brinquedo que você podia ir nesta idade…rsrs). Assistimos alguns DVD’s também juntos; Galinha Pintadinha, Casa de Brinquedos Toquinho e MPBaby. Todos sempre em português, aliás nosso objetivo foi que você tivesse um bom português.

Lot's of fun!!

Lot’s of fun!!

As duas semanas passaram tão rápido e papai voltou ao trabalho, mas a vovó chegou e cuidou de você durante 1 mês e meio (mamãe inclusive já até fez um post sobre isto, leia aqui).

Espero estar sempre presente no seu processo de crescimento e sempre que possível, estarei registrando aqui estes momentos.

Beijos,

Papai

Fotos importadas 3 Dezembro 2015 013

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In her shoes

(Post escrito em novembro de 2015 e só agora publicado)

mat leaveEssa foi a expressão que veio à minha cabeça enquanto as duas primeiras semanas de outubro se passavam. Em português, a ideia seria ‘estar na sua pele’.

Desde o início da nossa gravidez da Manuela, Cris e eu desejávamos compartilhar a licença maternidade. Aqui no Canadá, a mãe e o pai têm direito de tirar dias para cuidar do bebê durante o primeiro ano de vida dele e Deus nos concedeu esse privilégio quando achávamos que não seria mais possível.

Quando engravidei, estava trabalhando sob contrato, portanto, não tinha emprego garantido depois de 1 ano de licença maternidade. Recebi uma oferta de emprego no meio da licença, mas recusei, já que usufuir do nosso direito de ficar 1 ano inteirinho com a Manu sempre foi nossa prioridade.

No final do mês de agosto, comecei a procurar emprego novamente e fiz algumas entrevistas durante o mês de Setembro e.. Bum! I got a job! Recebi uma oferta de trabalho para começar na primeira semana de outubro. E o que tudo isso tem a ver com o título do post?! Bem, foi aí que começou a “troca de papéis”.

Eu ainda teria direito a duas semanas de licença maternidade e pensamos que seria o momento perfeito pro Cris “tomar posse” dos seus direitos como pai e tirar a licença paternidade. E assim o fizemos. Muitas decisões num curto espaço de tempo.

Ajustes aqui e ali e assim invertemos os papéis por 2 semanas: Cris ficaria em casa com Manu e eu iria trabalhar fora o dia inteiro.

Sem dúvida alguma, a melhor forma de você saber como a outra pessoa se sente em determinada situação é se colocar no lugar dela, fazer o que ela faz , pensar como ela. Tenho o péssimo hábito em às vezes, julgar as pessoas em pensamento e vira e mexe me pego fazendo de vítima ou me sentindo mais especial do que alguém (xiii… acabo de me confessar. Faz parte do meu lado ‘podre’ que luto contra ele). Não foi diferente dessa vez. Estar em casa de licença maternidade é maravilhoso, um privilégio, porém tem também os momentos sombrios que toda mãe passa por eles.

Enquanto ainda em casa com Manuela, eu tentei desfrutar da presença dela o máximo que pude; ensinei várias coisas – e aprendi muitas outras, fiz vários testes: desde qual o melhor horário da soneca até sopa de aspargos; descobrimos parques de nossa vizinhança; participamos de grupos de mães e bebês; exploramos nosso quintal, e claro, demos muitas, mas muitas risadas. Mas tem dias que você se pega trocando a fralda pela oitava vez e se pergunta: Será que eu quero isso pro resto da vida? (óbvio que Manuela deixará as fraldas daqui um tempo, só estou usando isso para figurar). Talvez sim, muitas mães escolhem sabiamente abandonar suas carreiras para educar seus filhos de uma maneira mais próxima e isso é uma escolha linda. Talvez eu faria (ou farei no futuro), mas certo é que a situação financeira agora precisa de um salário extra, então ficar em casa cuidando exclusivamente do bebê não é uma opção no momento.

Por mais que ficar cuidando da Manu o dia inteiro seja uma delícia, tem coisas que são básicas de um ser humano (principalmente para a mulher!) que não são preenchidas. Tem dias que eu queria dar uma volta em algumas lojas, conversar um papo de adulto, ouvir músicas que não fossem infantis ou assistir um filme no cinema. Por causa do frio em alguns desses meses ou por causa da falta do carro à nossa disposição, por algumas vezes passamos 2 ou 3 dias sem sair de casa, e isso cansa. Por que estou contando tudo isso? Pelo fato de que muitas vezes só olhamos o lado bom das coisas dos outros e nos esquecemos que todos temos nossos “perrengues”. Geralmente, o pai só enxerga uma coisa: a mãe ainda dormindo quando ele sai pra trabalhar. Quem é pai aí pode confessar que se identificou com essa afirmação. Mas certo é que fora todo o prazer que é estar em casa com o bebê, tem todo o trabalho adicional: casa pra arrumar, roupas e louças pra lavar, comida pra fazer, bebê que quer mamar, bebê que resolve não dormir ou não comer, fraldas pra trocar e por aí vai. Quem está fora de casa geralmente não percebe todas essas tarefas.

Já a visão da mãe (eu!) geralmente é assim: o pai sai de manhã sem preocupações com tudo que esta por fazer na casa; não tem que aprender um monte de coisas novas de como cuidar do bebê; ele pode ouvir música de adulto no carro; ele conversa com os colegas durante o dia sobre variados assuntos; ele dirige; vai na academia, no vôlei, chega em casa e (na maioria das vezes) as coisas estão no lugar ou se não estão, podem esperar e deixar pra amanhã porque a mamãe estará em casa mesmo. É claro que ele curte o bebê e também cuida dele.

A realidade é que voltando a trabalhar, minha visão mudou. Durante essas duas semanas que o Cris ficou com a Manuela e até o presente momento, todas às vezes que vou sair de casa é como se eu estivesse abandonando-a. Já chorei e meu coração aperta. Pra quem fica o dia todo fora – são 11 horas! – a sensação é de que estou perdendo momentos muito especiais da vida do bebê. E isso é fato. Todos os dias ela aprende uma coisa nova. Eu fico no trabalho louca pra saber a que horas acordou, se já comeu, se gostou do cereal novo, se vai passear, qual o brinquedo está gostando mais, se já fez o #2, se bebeu água, se já voltou a dormir, etc, etc. E aí quando chego em casa, corro pra abraça-la (e ela faz o mesmo!! Quase me derreto!!) e fico apenas duas horinhas do dia com ela. Mundo cruel… E aí penso: era mais ou menos assim que o Cris se sentia.

Como podem ver, meus pensamentos ainda estão meio fora de ordem, ainda não sei falar sobre meus sentimentos em relação à essa situação. Vamos dar tempo ao tempo. Agora começou outra fase: a de ir pra creche. Cris já escreveu um primeiro post sobre isso e depois falaremos mais detalhado sobre nossa experiência da Manu na creche de Mississauga.

Num outro momento, o Cris vai falar da experiência dele sobre essas duas semanas de licença paternidade.

**Para aqueles que gostam de filmes, tem dois que falam sobre troca de papéis. O famoso brasileiro “Se eu fosse você” e o americano “In her shoes”.**

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A procura de uma creche

Escolher um daycare significa decidir onde seu filho(a) ficará durante todo o dia (ou parte dele), então é super importante buscar uma creche que proporcione um ambiente educativo, amigável e de preferência, que você tenha alguma referência.

Day CAre image ad

Um colega de trabalho um dia me disse que o preço que iria pagar no daycare era o menor dos “problemas”, pois segundo ele, é impressionante a frequência com que as crianças ficam doentes. Porém é preciso dizer que aqui em Mississauga, as creches estão em média custando $1.100,00 por mês (em Toronto este valor fica ainda mais caro). Uma parte deste valor pode ser abatido no imposto de renda. Para saber detalhes sobre deduções no imposto de renda, clique aqui.

Quando Manuela completou 8 meses, começamos a pesquisar melhor sobre o assunto e fazer visitas a creches próximas à nossa casa. A Aline fez um workshop no Early Child Care Centre para entender melhor os tipos de creches existentes e os benefícios de cada tipo. Vamos lá as opções:

Tipos de daycare:

  • Licensed home child care: A creche é na casa da pessoa que está prestando o serviço e apesar de não ser licenciada pelo governo, a creche é licenciada através da filiação com um agente licenciado pelo governo.

Alguns dos benefícios:

  • Inspeções são feitas na creche para garantir que estão seguindo os padrões estabelecidos pelo governo.
  • Grupos menores (no máximo 6 crianças)
  • Pode ser subsidiada pelo governo

  • Licensed child care centre: São as creches que possuem um lugar mais amplo com as crianças divididas de acordo com a classificação etária delas. São licenciados pelo governo.

Alguns dos benefícios:

  • Seguem uma regulamentação do governo.
  • Crianças ficam em salas com outras da mesma faixa etária e atividades são preparadas de acordo com o desenvolvimento das crianças
  • Profissionais com formação para cuidar de crianças
  • Pode ser subsidiada pelo governo

  • Unlicensed care: A creche é nomalmente na casa da pessoa que está prestando o serviço e ela não é licenciada pelo governo. Porém, o serviço é legal e deve seguir algumas regras básicas.

Alguns dos beneficios:

  • Máximo de 5 crianças, incluindo os filhos do dono da creche (se for o caso)
  • Preços normalmente mais baixos

Classificação etária das crianças:

Infant (de 0 a 17 meses)

Toddler (de 18 meses a 2,5 anos)

Preschool (de 2,5 anos a 5 anos)

School age (de 6 aos 12 anos)

Apesar da idade escolar ser a partir de 6 anos, o governo de Ontário providencia jardim de infância (Kindergarten) gratuito em tempo integral à partir do ano em que a criança completa 4 anos. Neste caso, normalmente os pais providenciam um before and after school care, que pode ser na própria escola onde a criança está matriculada ou em um dos tipos de creche que informei acima (pagos, é claro).

Para procurar creches licenciadas: http://www.ontario.ca/page/find-and-pay-child-care  ou http://www.iaccess.gov.on.ca/LCCWWeb/childcare/search.xhtml

Manu completou a primeira semana de creche e depois iremos fazer um outro post sobre como tem sido a nossa experiência.

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O que seria do mundo sem as avós?

A melhor babá do mundo?

Ela ama, cuida, dá carinho e atenção. Ela ensina músicas novas, dança, pula e dá cambalhotas. Ela brinca de carrinho, de ‘carrão’ e de bonecas (Amora, Neném, Ana, Ginger… alguns dos nomes das bonecas). Ela passeia no parque, desce no escorregador e brinca no balanço. Ah! E no jacaré também. Ela dá rapadura, camarão e divide seu panetone. Ela pega ônibus, vai pro Square One Mall, na Apple, na Victoria’s Secret, no Metro e na Shoppers Drug Mart. Ela vai nas aulinhas de música com bebês, canta e dança músicas em inglês, conversa com as professoras e as outras avós e mamães, mesmo sem entender 100% da língua. Ela segue direitinho os horários de dormir, de comer e de brincar do bebê. Ela ensina o bebê a cantar & dançar “Meu pintinho amarelinho”, a fazer carinha de assustada e a dizer “Ai, ai, ai!”. Ela assiste Galinha Pintadinha, Casa de Brinquedos, MPBaby, Palavra Cantada, 3 Palavrinhas e Turma do Cristãozinho – na TV ou no iPhone. Ela se sente livre, sem invadir o espaço do outro.

Além de tudo isso, ela arruma a casa, lava roupas, faz comidinhas gostosas, cata folhas do quintal. Ela lava a garagem, costura roupas desembainhadas, lava banheiro e passa roupas. Ela compra pão e tofu. Ela ajuda nas lições de Escola Dominical e na decoração da festa de aniversário de um ano. E quando sobra um tempinho, dá uma passadinha na Dollarama. Tudo isso de rímel, baton, unhas pintadas e um vestidinho fofo.

Pra completar, ela gerencia a casa dela há milhares de quilômetros de distância. Ela estuda com a filha mais nova, dá assistência a filha mais velha quando hospitalizada, conversa com o filho do meio. Cuida do marido mesmo de longe e o empresta seus ouvidos quando ele precisa desabafar ou somente trocar ideias.

Mas acima de tudo isso, ela ora por todos nós, todos os dias. Ela sabe que o poder não está nas mãos dela e sim, do Pai. “Uma mulher de saltos é poderosa, mas uma mulher de joelhos é invencível.”

Quem é ela? A vovó da Manuela, minha mãe.

Mãe, sem palavras pra agradecer o carinho e cuidado seu com a gente durante esses últimos 44 dias. Nossos corações estão cheios de gratidão pelo seu desprendimento e apoio. Que dias como esses se repitam muitas outras vezes!! O-B-R-I-G-A-D-A!

*P.S. Minha mãe veio pra cá cuidar da Manu por 6 semanas enquanto eu me adaptava no meu novo trabalho e o Cris retornava ao seu antigo emprego. Agora, Manuela irá para um Home Daycare, que falaremos em posts mais adiantes.

mamis e Manu

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